quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lixo Social

     Imagine, você tem uma filha, você a cria, educa, ensina, abre as portas para ela chegar numa vida boa, e essa coisa toda. E u belo dia você chega em casa e ela está rebolando até o chão ouvindo funk. Basicamente, todo seu esforço foi jogado aos cachorros com sarna numa zona de São Paulo. Há um grande abismo entre os pais que não colocaram a filha nessa merda, e os dementes que incentivaram. Os que batalham se sentem coo lixo, por não ter recebido a gratidão devida, e ainda ter que ver a filha parecer uma puta. Já os pais que a ensinaram a rebolar e compraram uma porra de uma mini-saia, e ficaram tocando "Bonde da Stronda"(mas que merda é uma Stronda?), tem mais é que ver a filha chegar em casa com AIDS, sífilis e gonorréia.
     Se você for parar pra pensar por um maldito segundo, vai perceber que 95% das letras de funk se resumem a u favelado fodido falando sobre putaria, vaginas, o quão gigante é o pau dele, como a vida na favela é difícil, e sobre vadias rebolando(veja bem pode ser a tal filha que eu estava falando). Em fim, existe toda uma sorte de baixarias. Claro existem algumas almas que se ''salvam do purgatório'', mas a maioria é apenas lixo, putaria, e obviamente, uma demonstração de que a vida do cara não vai passar daquilo.
     Já viu uma festa na laje? Não há demonstração maior de fracasso na vida do que isso. Se você deixa sua filha ir nessa merda com AIDS na maçaneta da porta(se é que tem porta), saiba que tem quatro caras se esfregando nela ao mesmo tempo. E se você a encoraja a ir, saiba que desejo toda a dor e sofrimento do mundo a você.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Raul #2


     No dia seguinte ele já não sabia mais o que fazer com relação à Katherin. A metaleira dos cabelos de fogo deixou ele com um sono bem irregular. Quando chegou no colégio viu o garoto que deu em cima dela falando sobre o quanto os anéis na mão dela eram duros e de como ele segurou a dor com a macheza absoluta de um veterano da guerra. Na sala de aula foi falar com ela:
- Ontem sua performance foi bem divertida. Já viu o nariz do cara? Parece uma batata com hemorragia – falou Raul com um ar de graça
- Olha, não quero falar sobre aquilo. Geralmente sou mais calma, mas quando o assunto envolve baixaria, e me envolve, eu perco o controle e acontece aquilo. Não se engane, eu não sou daquele jeito. – fala ela com um ar de desânimo.
     O professor entra em sala e todos se sentam. Era gramática, uma matéria insuportável pra Raul. “Vou  entrar em um curso, ficar fluente em inglês e ir embora desse lixo chamado Brasil, que já é ruim pelo nome, um adjetivo. Babacas, quando eu for embora o primeiro a ter o computador hackeado vai ser esse professor irritante, fica me perguntando a matéria mesmo sabendo que eu não sei nada.” Pensou ele, sonhando rancorosamente.
     Katherinn já estava usando o uniforme escolar, que não realçava seus seios. Um dia de camisa preta, outro de uniforme. Teria ela seios fartos? “Eu sou muito tarado, pensa ele.” Ela percebe que Raul estava fitando-a, e virou a cara.
“Certo, ela deve me odiar. Mas porquê? Fui eu quem foi falar amigavelmente com ela, e hoje ela falou comigo e tentou mostrar que não é agressiva. O que ela pretende? Mal consigo ler sua postura, completamente neutra.” E era verdade, Katherinn simplesmente copiava o que era passado no quadro, não expressava nenhuma emoção no rosto ou no corpo. O tempo passa mas as aulas pareciam intermináveis. Bate o sinal pro intervalo. Raul espera ela descer e vai atrás. Ela estava linda com o cabelo preso em um rabo-de-cavalo, quando ela andava seus cabelos lançavam um cheiro que ele nunca havia sentido antes. “Feromônios? Se fosse isso provavelmente qualquer uma dessas vadias da sala já teria me feito sentir isso. Ou não. Fúteis ridículas tomara que morram cremando no inferno com a boca cheia de formigas, agonizando pela eternidade enquanto o capeta toca uma guitarra de sete cordas em seus ouvidos...” Seus pensamentos foram interrompidos quando um dos boyzinhos da sala veio praticar seu esporte preferido.
- Hmmmmmmm eu te vi olhando pra novata. Gosta de uma briguenta é?
- Não enche.
-Ohh tá irritado. Calma cara, fala com ela,  convida pra sair, talvez ela te acalme. Ou não. Vai que você acaba irritando ela hahahahah!
- Olha eu nunca falei com você antes, então porque você fala comigo?
- Somos colegas pô! ‘Tamo’ ai pra isso né.
-Não sou seu colega, mal chego a ser seu conhecido, então me deixa continuar pensando aqui, por favor – Corta Raul com um ar de desprezo, quase cuspindo o “por favor” na cara do garoto.
     E lá estava ela, sentada(sozinha) em um banco, olhando pro nada. Raul senta ao lado dela e olha pra ela, e depois pro chão. “Eu tenho que deixar de ser viadinho.”
-Então...vai almoçar aonde hoje? – pergunta ele meio receoso da resposta que poderia ganhar.
-Em casa. Porque? – responde ela, com curiosidade, e algo que poderia ser um brilho no olhar. “Porque”, era tudo que ele não queria ouvir em uma pergunta.
-Bom, é que eu queria, sabe...Almoçar com você – “Não, não, vou convida-la pra almoçar porque quero jogar pôquer com ela. Idiota”. Pensa ele.
-Olha...posso ligar pra minha mãe e falar que tenho que estudar aqui no colégio, invento qualquer desculpa...Tá então, eu vou com você. – Responde ela, meio envergonhada. Não era comum algum cara convida-la pra sair, todos queriam só as vadias fáceis, e Katherinn era um desafio, não ficava com qualquer pé rapado que aparecesse em sua frente, mas Raul parecia ser diferente, estava convidando ela pra sair, mesmo sabendo que ela era meio...instável.