Depois de mais um dia na faculdade de engenharia, Camila chega em casa de noite e vai tomar seu banho. Quando sai do banho, percebe que há uma boneca no sofá com dois riscos no peito, ela pega a boneca e fica a encarando. Não era ameaçadora, uma boneca de pano simples e bem infantil com um rosto feliz, mas aqueles dois riscos emanavam uma aura estranha. Não amedrontadora, mas estranha. Ficou se perguntando como aquela boneca havia entrado ali. Checou a casa inteira para verificar se algo havia sido roubado, porém estava tudo no lugar, nenhum sinal de arrombamento ou invasão. Tudo na mais perfeita ordem, exceto....
A boneca
Camila colocou a boneca dentro de uma gaveta e foi dormir, estava cansada pra caralho de tanto estudar e mal se aguentava com os olhos abertos. Quando deitou na cama percebeu um amontoado dentro da mesma. Quando botou a mão ali dentro estava a boneca, mas dessa vez com um olhar neutro, e não feliz, como a havia encontrado, com o susto que ela levou, defenestrou a boneca e trancou a casa inteira. No dia seguinte, quando foi se arrumar para a faculdade a boneca estava la de novo, mas com uma expressão triste no rosto, ela mesmo com medo percebeu que como ela tratava a boneca, sua expressão mudava, então resolveu entrar na dança. Colocou a boneca na mochila e foi para a faculdade.
Chegando lá não tirou a boneca da mochila, ela sabia que a distrairia dos estudos, mas deu uma última checada, e a boneca estava com uma expressão neutra novamente. Durante a aula ela ouviu uma voz de criança falar:
- Brinque comigo, estou só...- a voz parecia prestes a chorar, porém Camila ignorou, chegou a hipótese do cansaço e decidiu ir pra casa mais cedo, ela estava dormindo e se alimentando muito mal devido a dificuldade do curso. Quando chegou em casa botou a boneca em uma cômoda qualquer e foi comer. Quando chegou na mesa a boneca não estava lá, para o alívio dela. Camila fez sua refeição e foi tomar banho. quando saiu do banho e foi pra sala viu que a boneca estava completamente molhada. Mas como? Não tinha levado ela pro banho.
- Brinque comigo, estou tão só...- falou a voz novamente, dessa vez soluçando.
- Mas...você...fala? - Camila perguntou à boneca, com a voz trêmula.
-Brinque...comigo...por favor...- falou a voz com soluços e choros entre as palavras.
Depois disso Camila pelo mais puro e refinado medo brincou com a boneca, como se ela fosse uma lutadora batendo no ar. Depois disso acomodou a boneca em um travesseiro e foi dormir. Quando acordou a voz falou de novo.
-Brinque comigo, foi divertido!- mas dessa vez animada.
-Não, preciso ir pra faculdade- responde Camila à voz, secamente.
-Brinque comigo....AGORA!- A última palavra foi pronunciada com uma voz gutural e estrondosa que fez camila levar um susto.
-Não! Pare de me seguir! - Grita camila, que atira a boneca pela janela e sai correndo de casa.
-Não tente fugir...- Diz a voz em sua forma gutural - Eu estarei onde você estiver.
Nisso Camila sente seu coração apertar como se algo fizesse pressão ao redor dele.
-Pare...Isso dói! - Grita Camila temendo ter uma parada cardíaca, ou o coração explodido.
- Então brinque comigo! - Grita a voz.
- Certo! Eu brinco com você!
-Para sempre...
Então tudo vira um breu completo.
Stefano chega em casa e vê em seu sofá uma boneca de pano, bastante infantil e com um sorriso no rosto, porém com estranhos três riscos no peito.