sábado, 6 de outubro de 2012

Sweet Death #5

    Depois de mais um dia na faculdade de engenharia, Camila chega em casa de noite e vai tomar seu banho. Quando sai do banho, percebe que há uma boneca no sofá com dois riscos no peito, ela pega a boneca e fica a encarando. Não era ameaçadora, uma boneca de pano simples e bem infantil com um rosto feliz, mas aqueles dois riscos emanavam uma aura estranha. Não amedrontadora, mas estranha. Ficou se perguntando como aquela boneca havia entrado ali. Checou a casa inteira para verificar se algo havia sido roubado, porém estava tudo no lugar, nenhum sinal de arrombamento ou invasão. Tudo na mais perfeita ordem, exceto....
                                                                        A boneca

     Camila colocou a boneca dentro de uma gaveta e foi dormir, estava cansada pra caralho de tanto estudar e mal se aguentava com os olhos abertos. Quando deitou na cama percebeu um amontoado dentro da mesma. Quando botou a mão ali dentro estava a boneca, mas dessa vez com um olhar neutro, e não feliz, como a havia encontrado, com o susto que ela levou, defenestrou a boneca e trancou a casa inteira. No dia seguinte, quando foi se arrumar para a faculdade a boneca estava la de novo, mas com uma expressão triste no rosto, ela mesmo com medo percebeu que como ela tratava a boneca, sua expressão mudava, então resolveu entrar na dança. Colocou a boneca na mochila e foi para a faculdade.
     Chegando lá não tirou a boneca da mochila, ela sabia que a distrairia dos estudos, mas deu uma última checada, e a boneca estava com uma expressão neutra novamente. Durante a aula ela ouviu uma voz de criança falar:
- Brinque comigo, estou só...- a voz parecia prestes a chorar, porém Camila ignorou, chegou a hipótese do cansaço e decidiu ir pra casa mais cedo, ela estava dormindo e se alimentando muito mal devido a dificuldade do curso. Quando chegou em casa botou a boneca em uma cômoda qualquer e foi comer. Quando chegou na mesa a boneca não estava lá, para o alívio dela. Camila fez sua refeição e foi tomar banho. quando saiu do banho e foi pra sala viu que a boneca estava completamente molhada. Mas como? Não tinha levado ela pro banho.
- Brinque comigo, estou tão só...- falou a voz novamente, dessa vez soluçando.
- Mas...você...fala? - Camila perguntou à boneca, com a voz trêmula.
-Brinque...comigo...por favor...- falou a voz com soluços e choros entre as palavras.
     Depois disso Camila pelo mais puro e refinado medo brincou com a boneca, como se ela fosse uma lutadora batendo no ar. Depois disso acomodou a boneca em um travesseiro e foi dormir. Quando acordou a voz falou de novo.
-Brinque comigo, foi divertido!- mas dessa vez animada.
-Não, preciso ir pra faculdade- responde Camila à voz, secamente.
-Brinque comigo....AGORA!- A última palavra foi pronunciada com uma voz gutural e estrondosa que fez camila levar um susto.
-Não! Pare de me seguir! - Grita camila, que atira a boneca pela janela e sai correndo de casa.
-Não tente fugir...- Diz a voz em sua forma gutural - Eu estarei onde você estiver.

     Nisso Camila sente seu coração apertar como se algo fizesse pressão ao redor dele.
-Pare...Isso dói! - Grita Camila temendo ter uma parada cardíaca, ou o coração explodido.
- Então brinque comigo! - Grita a voz.
- Certo! Eu brinco com você!
-Para sempre...
     Então tudo vira um breu completo.
     Stefano chega em casa e vê em seu sofá uma boneca de pano, bastante infantil e com um sorriso no rosto, porém com estranhos três riscos no peito.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lixo Social

     Imagine, você tem uma filha, você a cria, educa, ensina, abre as portas para ela chegar numa vida boa, e essa coisa toda. E u belo dia você chega em casa e ela está rebolando até o chão ouvindo funk. Basicamente, todo seu esforço foi jogado aos cachorros com sarna numa zona de São Paulo. Há um grande abismo entre os pais que não colocaram a filha nessa merda, e os dementes que incentivaram. Os que batalham se sentem coo lixo, por não ter recebido a gratidão devida, e ainda ter que ver a filha parecer uma puta. Já os pais que a ensinaram a rebolar e compraram uma porra de uma mini-saia, e ficaram tocando "Bonde da Stronda"(mas que merda é uma Stronda?), tem mais é que ver a filha chegar em casa com AIDS, sífilis e gonorréia.
     Se você for parar pra pensar por um maldito segundo, vai perceber que 95% das letras de funk se resumem a u favelado fodido falando sobre putaria, vaginas, o quão gigante é o pau dele, como a vida na favela é difícil, e sobre vadias rebolando(veja bem pode ser a tal filha que eu estava falando). Em fim, existe toda uma sorte de baixarias. Claro existem algumas almas que se ''salvam do purgatório'', mas a maioria é apenas lixo, putaria, e obviamente, uma demonstração de que a vida do cara não vai passar daquilo.
     Já viu uma festa na laje? Não há demonstração maior de fracasso na vida do que isso. Se você deixa sua filha ir nessa merda com AIDS na maçaneta da porta(se é que tem porta), saiba que tem quatro caras se esfregando nela ao mesmo tempo. E se você a encoraja a ir, saiba que desejo toda a dor e sofrimento do mundo a você.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Raul #2


     No dia seguinte ele já não sabia mais o que fazer com relação à Katherin. A metaleira dos cabelos de fogo deixou ele com um sono bem irregular. Quando chegou no colégio viu o garoto que deu em cima dela falando sobre o quanto os anéis na mão dela eram duros e de como ele segurou a dor com a macheza absoluta de um veterano da guerra. Na sala de aula foi falar com ela:
- Ontem sua performance foi bem divertida. Já viu o nariz do cara? Parece uma batata com hemorragia – falou Raul com um ar de graça
- Olha, não quero falar sobre aquilo. Geralmente sou mais calma, mas quando o assunto envolve baixaria, e me envolve, eu perco o controle e acontece aquilo. Não se engane, eu não sou daquele jeito. – fala ela com um ar de desânimo.
     O professor entra em sala e todos se sentam. Era gramática, uma matéria insuportável pra Raul. “Vou  entrar em um curso, ficar fluente em inglês e ir embora desse lixo chamado Brasil, que já é ruim pelo nome, um adjetivo. Babacas, quando eu for embora o primeiro a ter o computador hackeado vai ser esse professor irritante, fica me perguntando a matéria mesmo sabendo que eu não sei nada.” Pensou ele, sonhando rancorosamente.
     Katherinn já estava usando o uniforme escolar, que não realçava seus seios. Um dia de camisa preta, outro de uniforme. Teria ela seios fartos? “Eu sou muito tarado, pensa ele.” Ela percebe que Raul estava fitando-a, e virou a cara.
“Certo, ela deve me odiar. Mas porquê? Fui eu quem foi falar amigavelmente com ela, e hoje ela falou comigo e tentou mostrar que não é agressiva. O que ela pretende? Mal consigo ler sua postura, completamente neutra.” E era verdade, Katherinn simplesmente copiava o que era passado no quadro, não expressava nenhuma emoção no rosto ou no corpo. O tempo passa mas as aulas pareciam intermináveis. Bate o sinal pro intervalo. Raul espera ela descer e vai atrás. Ela estava linda com o cabelo preso em um rabo-de-cavalo, quando ela andava seus cabelos lançavam um cheiro que ele nunca havia sentido antes. “Feromônios? Se fosse isso provavelmente qualquer uma dessas vadias da sala já teria me feito sentir isso. Ou não. Fúteis ridículas tomara que morram cremando no inferno com a boca cheia de formigas, agonizando pela eternidade enquanto o capeta toca uma guitarra de sete cordas em seus ouvidos...” Seus pensamentos foram interrompidos quando um dos boyzinhos da sala veio praticar seu esporte preferido.
- Hmmmmmmm eu te vi olhando pra novata. Gosta de uma briguenta é?
- Não enche.
-Ohh tá irritado. Calma cara, fala com ela,  convida pra sair, talvez ela te acalme. Ou não. Vai que você acaba irritando ela hahahahah!
- Olha eu nunca falei com você antes, então porque você fala comigo?
- Somos colegas pô! ‘Tamo’ ai pra isso né.
-Não sou seu colega, mal chego a ser seu conhecido, então me deixa continuar pensando aqui, por favor – Corta Raul com um ar de desprezo, quase cuspindo o “por favor” na cara do garoto.
     E lá estava ela, sentada(sozinha) em um banco, olhando pro nada. Raul senta ao lado dela e olha pra ela, e depois pro chão. “Eu tenho que deixar de ser viadinho.”
-Então...vai almoçar aonde hoje? – pergunta ele meio receoso da resposta que poderia ganhar.
-Em casa. Porque? – responde ela, com curiosidade, e algo que poderia ser um brilho no olhar. “Porque”, era tudo que ele não queria ouvir em uma pergunta.
-Bom, é que eu queria, sabe...Almoçar com você – “Não, não, vou convida-la pra almoçar porque quero jogar pôquer com ela. Idiota”. Pensa ele.
-Olha...posso ligar pra minha mãe e falar que tenho que estudar aqui no colégio, invento qualquer desculpa...Tá então, eu vou com você. – Responde ela, meio envergonhada. Não era comum algum cara convida-la pra sair, todos queriam só as vadias fáceis, e Katherinn era um desafio, não ficava com qualquer pé rapado que aparecesse em sua frente, mas Raul parecia ser diferente, estava convidando ela pra sair, mesmo sabendo que ela era meio...instável. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sweet Death #4

Dor de cabeça, dor nos olhos, dor nas pernas, dor nos braços, dor em tudo, um cheiro de bebida alcoólica pairava no ar e só colaborava ainda mais pra ressaca de Stefano fazer sua cabeça parecer que estava sendo martelada. “Porra, ontem deve ter sido punk” pensa Stefano antes de sair da cama. Estava meio complicado andar, suas pernas doíam e seus joelhos também, mas seguiu em direção a cozinha mesmo assim. Uma das vantagens de morar sozinho era não dar satisfações a ninguém que entrasse no apartamento dele.
     Stefano foi para a sacada e lá ficou sentado tentando se lembrar de alguma merda realmente catastrófica. Era meio difícil pensar com aquela dor de cabeça satânica. Saindo da sacada foi tentar arrumar o local. Quando foi começar a catar as garrafas de vidro no chão, acabou caindo de joelhos e depois deitado.
- Nunca mais....vou beber....nessa merda....de vidinha- Formar palavras estava realmente foda. E caiu no sono de novo. Quando acordou nem sabia direito onde estava, mas não era a casa dele. As dores haviam diminuído significativamente, e se isso aconteceu devia ter se realmente passado tempo pra cacete dormindo igual um retardado babão. Começou a olhar o ambiente em volta, o local não era bom, era um quarto com uma cama na qual ele estava deitado, a cama era boa até, mas também não era digna de um rei ou coisa do tipo. Ele sai da cama e tenta abrir a porta. Trancada. “Agora fodeu geral” pensa ele. Ele senta na cama e começa a pensar em como havia chegado ali. Dormiu, acordou, dormiu de novo, e quando acordou novamente já estava ali refém de sabe-se Deus quem.
     A porta abre, e ali aparece um homem grande e forte completamente coberto com uma roupa preta, era uma...farda com capacete, algo do tipo, só sabia que não conseguiu identificar quem era o sujeito. O problema maior não era o sujeito de preto, mas sim o que ele carregava, parecia uma massa de carne e veias, sangue e ossos, era bizarro. O homem de preto jogou aquela coisa no cômodo e trancou a porta. Quando Stefano olhou melhor aquela coisa no chão, percebeu que a massa de carne tinha uma forma, músculos, braços, pernas, era uma pessoa, estava viva e respirando, mas não tinha pele.
- Meu Deus, você tá bem?- Pergunta Stefano
- Claro...arrancaram minha pele...comigo vivo...e sem anestesia...me deixaram todo fraco...óbvio que estou bem.- Responde...aquilo, com dificuldade em falar devido ao veneno que deram pra ele – Ei, já que ainda não fizeram isso...com você...me senta naquela cadeira...ali no canto. Não consigo me...mover.
     Stefano ficou parado pensando em como ia encostar naquilo, era todo, estranho, tinha forma bem definida, músculos ressaltados(talvez porque não tivesse nada os encobrindo), mas era todo cheio de sangue, e MUITO SANGUE. Porra como ele não tinha morrido?? Isso não importava, precisava sair dali o mais rápido possível. Nem chegou a tocar no homem sem pele, estava morrendo de medo. Quando ele se levantou, o homem de preto veio, colocou um saco na cabeça de Stefano e o levou a algum lugar. Quando o saco foi retirado, ele estava preso a uma mesa de ferro, daquelas que aparecem em filmes alienígenas. E agora? Trancado, preso, como um ratinho numa gaiola, ele sabia que o pior estava por vir.
-Haha, acha que viu o pior?- Falou o homem de preto. Quando ele tirou a máscara ele viu uma face da qual ele nunca poderia esquecer. Ele viu o próprio rosto, só que mais velho, muito mais velho, completamente enrugado e com os olhos cansados, porém cruéis. O medo se espalhou pelo seu corpo, como aquilo seria possível? Então o velho disse:
- Não gosto de gente igual a mim. Vamos fazer uma pequena troca de pele.
Tudo ficou escuro.
     Quando ele acordou, o velho segurava um espelho na mão, ele parecia estar se divertindo com a situação. Stefano se sentia estranho.
-Agora sim está melhor- Disse o velho, e levantou o espelho.
     No espelho ele viu alguém que não conhecia. Ele viu um rosto e um corpo com aparência deformada, pele meio morta e fora do lugar.
                             A troca havia sido bem sucedida. 

Histórias de um Mestre: 1.2


Parte 2 – Amor

A cerimônia seguiu normalmente e a festa foi muito animada. Os convidados se divertiram muito e a comida estava ótima. As celebrações duraram até a madrugada e os convidados foram para suas casas cansados e satisfeitos.
Ao final da noite, eu e Sylvia fomos para nossa casa. Ela fica nos limites de Séneca, uma pequena e próspera cidade do interior do reino de Nebria.
A distancia entre nossa propriedade e a igreja era grande, a noite era fria e a carruagem era aberta. Sylvia estava com frio então dei minha capa a ela para que se cobrisse e a envolvi em meus braços com ternura. Ela fitou-me com os olhos e disse algo que nunca esquecerei: - Prometa que será meu. Só meu... Para sempre!
Emocionei-me e prometi: - Sim minha amada, serei teu para o resto de minha existência carnal e espiritual! – A abracei mais forte e nos beijamos. Senti naquele beijo o verdadeiro amor que o sacerdote da cerimônia havia dito.
Chegamos a nossa casa e fomos direto para o nosso quarto onde nos amamos pelo resto da noite, sucumbindo aos desejos carnais de nossos corpos profanos.


Por: Gabriel Sartori, o Líder

História de um mestre: 1.1


Parte 1 – Felizes para sempre

         Ela estava linda. Seus lindos olhos verdes brilhavam como a lua-cheia à luz dos castiçais da igreja. Usava um vestido branco rendado com um véu tão denso que eu só podia ver seus lindos lábios com batom rosa. Segurava um pequeno buquê de cravos de um vermelho vibrante, como seus longos e sedosos cabelos.
         A cada passo que ela dava, meu coração batia mais forte, parecia que ia pular de meu peito. Batia tão forte que doía. Meus pés formigavam, minhas mãos suavam e tremiam de forma descontrolada.
         Quando ela chegou ao altar, senti um leve calafrio. Olhei para seu pai, que tinha os olhos vermelhos e lacrimejando. Piscou para mim e disse:
         - A união é sagrada, mas o dever é carnal. Confio em ti para cuidar da minha princesa, Agamennom.
         Senti o peso do compromisso nas minhas costas com as palavras de Jullius e respondi: – Em frente a tua filha, a ti prometo que faze-la-ei a esposa mais feliz do mundo.
         Sylvia sorriu, levantou seu véu e num tom cômico disse: - Eu já sou a mulher mais feliz do mundo – aponta para o altar e completa – Agora só falta me tornar sua esposa para que possas cumprir tua promessa. Então vamos?
         Peguei em sua mão direita e disse: - Vamos amor, um futuro próspero nos aguarda!


Por: Gabriel Sartori, o Líder

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Sweet Death #3


Felipe andava tranquilamente pelas ruas desertas de uma cidade no interior do Japão, pensando na vida que ele poderia ter feito muita coisa pra mudar. Seus passos eram silenciosos e lentos para que sua viagem durasse mais e pudesse refletir mais tranquilamente por mais tempo.
    A Floresta Aokigahara não é um lugar muito bonito, mas é silencioso, perfeito pra quem quer apenas rodear o local e pensar um pouco. Depois de andar por uma hora e pouco Felipe se depara numa placa, porém como estava em japonês e Felipe sabia apenas inglês e português, imaginou que devia ser algum aviso pra tomar cuidado com mosquitos. Ao entrar na floresta ele percebe que o ar ficou diferente, mais vivo, e porem mais morto ao mesmo tempo, como se alguém estivesse o espreitando.
    Passos podiam ser ouvidos, juntamente com o barulho de gravetos se quebrando no chão irregular e disforme.
- Ei você, viu minha mochila? Eu devo ter perdido ela em algum lugar...- diz a voz atrás de Felipe. Era uma voz feminina.
-Quem está ai?- pergunta Felipe meio inseguro. Nunca tinha se dado tão bem com garotas. Havia tido uns relacionamentos mas na maioria das vezes apenas fracassos patéticos, e sabia que se alguma garota estava falando com ele numa floresta onde a população viva devia ser apenas ele, coisa boa não podia ser. Quando ele se vira se depara com uma garota realmente linda, cabelos curtos e pretos e olhos mais fundos que o próprio oceano, e tão escuros quanto a noite, era alta e o corpo parecia uma obra de arte de Leonardo Da Vinci.
- Hey você é bonita, qual seu nome? – Pergunta ele quase sem saber como se formavam palavras diante de uma garota daquelas, parecia ter o que? 18 anos?
- Meu nome é Eleanor, e queria saber se você viu minha mochila por ai, é toda preta, droga meus cadernos e livros estavam todos lá.- diz a garota com voz meio irritadiça.
- Não vi- Responde Felipe- Maaaaaaaaassss podemos procurar juntos, se não se importa.
    Haha ele não perdia uma chance de arrumar uns amassos, mesmo que fosse num lugar  esquecido por Deus. Eles andavam pra lá e pra cá, sem rumo exato, e Felipe apenas a acompanhava sem nem mesmo prestar atenção aonde ia, afinal, era uma chance em um milhão. Depois de um certo tempo, Eleanor para de andar, vira-se e fala:
- Hm, acho que nos perdemos – Fala ela com um tranquilidade que veio do mais absurdo nada.
- Ah sem problemas, antes de voltar agente podia sentar e fazer alguma coisa- Diz Felipe com uma certa alegria na voz, apesar de estar onde Judas perdeu as calças.
-O que você esta pretendendo fazer aqui comigo hein?- Pergunta ela com a mesma calma de antes, porem com uma voz mais...sedutora.
-Bom, estava pensando nisso...-antes mesmo de terminar a frase ele tenta dar um beijo em Eleanor, que não deu muito certo porque ao invés de uma boca ele encontrou um monte de cabelos.
-Mas o qu...- antes que pudesse terminar, percebeu uma coisa meio que, humanamente impossível: a cabeça dela estava virada pra trás. E o corpo não.
-Caralho, quem é você? Ou melhor, o quê??- Indaga Felipe com o coração a mil.
- Qual o problema coelhinho? Com medo da raposa disfarçada?- Enquanto ela falava olhos vermelhos como sangue aparecem do meio dos seus cabelos e uma boca disforme e cheia de caninos aparece na nuca.
-Puta merda- Foi tudo o que ele conseguiu pensar em pronunciar antes de sair correndo, desesperado pra não ter a cabeça dentro daquela boca, nuca, ou qualquer coisa que aquilo pudesse ser.
    Naturalmente, o garoto tropeça(como em qualquer história em que o cara está em perigo de morte) e vê Eleanor vindo em sua direção muito rápido, quando ela chega perto, pula e cai exatamente em cima dele, numa posição parecida com um papai-e-mamãe.
- Você ainda não viu nada. Olhe em meus olhos.- Disse Eleanor.
Qual deles? Deviam ter no mínimo 5. De qualquer maneira ele olhou, e viu centenas de garotos e garotas, todos de uniformes escolares japoneses naquela mesma floresta, morrendo de diversas maneiras diferentes: se tacando de árvores extremamente altas e de cabeça, cortando as mãos fora, cortando os pulsos, se enforcando nos galhos, fazendo um torniquete caseiro no próprio pescoço, e muitas outras brutalidades. A única coisa que tinham em comum, era que estavam se suicidando, tirando a própria vida antes do tempo previsto, ou não. As visões de suicídio acabaram e Felipe se viu com a Eleanor normal a sua frente, mesmo rosto impecável de antes. Ele sabia que ela era um monstro mórbido, mas aquele rosto fazia ele fazer qualquer coisa pra telo junto ao próprio. Qualquer coisa.
- Está vendo aquele galho? Se eu te der um beijo, você crava ele na própria cabeça?- Pergunta ela com uma voz inocente, como se tivesse pedindo um brigadeiro. Ele queria negar, e ao mesmo tempo não. Ela era linda de morrer(literalmente), e parecia estar hipnotizando ele. Felipe queria resistir mas Eleanor era poderosa. Com a voz trêmula, ele para de se debater e fala:
-Claro, por que não?- E assim ele beija Eleanor. Aquilo fora a melhor sensação da vida dele, podia sentir todas as melhores emoções que existiam naquele breve momento, e quando acabou, ele se sentia diferente.
-Agora cumpra sua parte do acordo- Disse Eleanor.
    Aquele beijo foi a última coisa que ele sentiu, literalmente, ele não sentia medo, ansiedade, era um escravo de Eleanor que faria o que ela quisesse, e ela realmente queria que ele fizesse algo. Ele quebrou o galho pontiagudo, apontou a parte afiada para a própria cabeça, e alguns instantes antes de se suicidar, ouviu Eleanor dizer:
- Devia ter lido a placa, e feito como ela dizia e ficado longe. Adeus meu bem, vou sentir saudades.

Raul #1


Raul acordou com dor de cabeça como acontecia em quase todos os dias. Cama dura, travesseiro ruim, e esse tipo de coisa. Órfão de pai e mão e sem ter ninguém na família pra cuidar dele enquanto não fizesse 18 anos, ficou com a herança dos pais aos 15 mesmo. Precisava manusear com muito cuidado aquele dinheiro pra garantir que poderia bancar ele enquanto não pegava um estágio na universidade. O problema é que antes disso ele precisava entrar na universidade. Alguém que tem TDA não consegue ir muito bem no colégio, fora um milagre chegar no 1° ano do ensino médio sem rodar. Não chegava a realmente sofrer bullying, afinal a maioria dos garotos estavam muito ocupados tentando comer as garotas da sala, mas isso não impedia de sempre ter alguém pra encher o saco dele.
     Sem amigos por ser um tanto antissocial, preferia ficar sozinho do que rodeado de pessoas falando e perguntando. Mas sentia falta de dois tipos de companhias. Pais e namorada. Ele nunca tinha beijado uma garota, ele até já tentou se aproximar de algumas menos fúteis na sala, mas o jeito fútil(por mais que amenizado) e patricinha delas o deixava com ânsia de vômito. Quando saía do colégio ia direto pra casa, tentava estudar, não conseguia devido ao TDA, e ia pro computador. Ficar no MSN, twitter, Orkut e Facebook? Não. Ele descobrira uma coisa que prendia a atenção dele: Programas de hackers. Depois de descobrir alguns sites em particular, ficou tudo mais fácil. Ele podia muito bem hackear as contas das redes sócias dos garotos que o perturbavam, mas não gastaria seu tempo e habilidade com isso. Ele almejava coisas maiores. Invadir o sistema da polícia sem ser detectado e descobrir como seus pais morreram. Nunca foi explicado a ele, sempre que o assunto com a polícia chegava nesse ponto, os policiais diziam que ele devia apenas estar feliz por ter conseguido permissão pra viver sozinho, e não ser mandado direto pra um orfanato.
     Sua vida corria normal até o dia que apareceu uma figura nova na sala de aula. A coordenadora do ensino médio chega na sala, e já vai fazendo as apresentações:
-Gente essa é a Katherinn, ela é nova por aqui então não dilacerem sua carninha nova- brincou a coordenadora- Ah, ali no fundo tem um lugar, pode se sentar lá.
     Não era um lugar perto de Raul, mas ele já conseguia ver aquele rosto maravilhoso sem problemas. Era ruiva, tinha cabelos que chegavam na cintura e como ainda não tinha o uniforme da escola, estava com uma roupa muito foda: All Star preto, jeans rasgado e uma camisa do Slipknot. O piercing na sobrancelha dela dava o toque final. Todos os marmanjos daquela sala estavam babando, e as garotas com ciúmes, pois a atenção foi desviada delas, e com medo daquele visual mother fucker que elas nunca pensariam em usar. O sinal(finalmente) bate, hora do intervalo de aulas, e antes que Raul conseguisse se apresentar como o único metaleiro da sala, uma roda de garotos enchendo o saco e dando em cima dela já tinha se formado, e fodido as chances de Raul de conseguir alguém pra zoar do Justin Bieber com ele.
- Tranquilo, anda tem dois trimestres pela frente. – Fala Raul, sozinho, como sempre. Antes que ele pudesse continuar ouvir Katherinn:
- Af saiam da minha frente quero fazer meu lanche- Grita Katherinn
- Haha porque não vai lá em casa hoje a noite e lancha outra coisa? Meus pais não estão em casa, vamos estar sozin... – começa um dos garotos da roda mais é interrompido por um soco na cara vindo de Katherinn. Ela podia não ser muito forte, mas o anel com uma caveira no dedo dela fez um belo estrago perto da boca dele.
- Sua vaca! Eu vou te matar! – ameaça o garotão, se achando muito forte.
- Se encostar um dedo em mim eu arranco seus braços e bato em você com eles seu merda filho de uma puta! – Grita Katherinn com ódio no olhar.      Naturalmente, a gritaria chamou a atenção da coordenadora.
- Vem cá, o que está havendo aqui hein?- Pergunta ela indignada.
- Essa maluca me bateu do nada! – mente o garoto
- O cacete! Você veio insinuando que queria transar comigo e me chamou de vaca! Eu devia era ter dado mais porradas em você!- Desmente Katherinn
- Não vou deixar que isso ocorra nessa escola sem punição! Os dois já pra minha sala – Reprima a coordenadora, tão irritada que achava que ia decapita-los com uma só mão.
- Há, gostei dela. Quando o esporro da coordenadora acabar, eu vou lá explicar pra ela como a banda toca por essa prisão do capeta – Fala Raul, sozinho, como sempre.
     Acabando a aula, Raul foi falar com ela.
- Ei, sobre o que houve hoje...- começa Raul que é interrompido.
- Olha não quero falar sobre isso tá legal? Não foi um primeiro dia muito bom pra mim – Fala Katherinn, desinteressada e cansada.
- Ah, um dia. Meus três primeiros anos aqui também não foram muito bons- Retruca Raul.
- O que você quer hein garoto?- fala Katherinn, agressiva e impaciente, como sempre.
- Quero me apresentar. Raul ao seu dispor, até então único metaleiro da sala, e possivelmente do colégio- Apresenta-se ele.
- Tá bom, seu Raul, nos falamos amanhã, hoje quero ir pra casa pensar um pouco.- Após isso, Katherinn dá meio volta e sai andando pra casa.
     Raul já sabia o que fazer. No dia seguinte, teria uma surpresa pra ela.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Sweet Death #2


Campo de Concentração Nazista de Auschwitz, 1949.


    Stefano andava calmamente pelo campo de concentração mais famoso do mundo. Apesar do dia estar bom, céu claro e clima agradável, andar por ali o deixava nervoso, afinal 3 milhões de pessoas morreram naquele lugar, e sabe-se lá aonde foram paras os cadáveres que não foram achados. Ele olhava para os lados, meio desconfortável pois sabia que teve sorte de não ter sido um prisioneiro judeu daquele lugar, e nem sequer sabia como imaginar a agonia e sofrimento daqueles que lá pereceram.
    Um padre andava pelo lugar com uma expressão séria, Stefano se perguntou o que o padre estava fazendo ali, estaria benzendo o local? Ele toma coragem e vai falar com o homem.
- Vossa santidade, já passaram uns três anos desde que ninguém é preso aqui, e alguns bilhões de padres já benzeram e purificaram esse lugar, desculpe a intromissão mas porque o senhor...
-Não estou benzendo – interrompe o padre- estou reconhecendo. Algumas pessoas que passaram por aqui disseram ter ouvido vozes, passos e gritos de agonia, estou aqui pois sou um especialista nesse tipo de paranormalidade.
-Interessante. Todo dia eu venho aqui vistoriar esse lugar e nada demais me aconteceu- Comenta Stefano.
-Talvez os espíritos entendam sua missão e não se importem com você, mas talvez se importem com andarilhos do local por perturbarem seu local de descanso.- explica o padre.
-Hm, que seja, vou continuar por aí- diz Stefano, e segue seu caminho.
    Ele continua a andar calmamente pelo local, ninguém além de padres e historiadores apareciam por lá, e a trabalho, ninguém queria entrar no local onde houve um massacre induzido. Em seu percurso ele olhava as paredes, que não via nenhuma novidade de um dia pro outro, mas não conseguia parar de pensar nas pessoas que foram tratadas como lixo e tiveram a dignidade decapitada, assim como se decapita uma galinha. Um por um, cada judeu naquele lugar ia morrendo enquanto ainda estava em funcionamento.
    “A câmara de gás” pensou Stefano “ Só mais esse lugar e pronto, vou pra casa ver minha família.” Quando ele entrou na câmara a porta atrás dele se fecha. Stefano começa a tentar abrir a porta desesperadamente, obviamente sem sucesso. Ele percebe que algo estava realmente errado e começa a gritar pelo tal padre que estava por lá.
Sem resposta
    Stefano começa a bater na porta na esperança de que ela abrisse. E abriu. Não totalmente para a infelicidade dele, abriu apenas uma fresta para quem está do lado de fora apreciar a morte lenta e deprimente por asfixia. E do lado de fora estava o tal padre. Stefano começou a implorar por ajuda e só viu o padre rir e fechar a fresta. Começou a ouvir os passos do padre circulando o local e subindo uma escada que dava no teto da câmara. O problema é que câmaras de gás tem um pequeno túnel no teto onde o cilindro com gás é lançado. Ele viu uma luz no teto e lá estava o padre que gritou:
-POR HITLER!- e jogou um objeto de ferro por aquele buraco.
    O pequeno túnel se fechou e um gás começou a sair do cilindro no chão.
                                Seu destino havia sido selado.

Ateísmo


Aviso prévio a todos os crentes: Esse texto não é pra vocês, logo não me responsabilizo se ficarem putinhos após lerem isso. Estou apenas expressando minha opinião livremente assim como a lei me permite :D
     Vejamos por onde começar...Ah claro o Jardim do Éden. Deus disse a Adão e Eva para não comerem do fruto proibido, então porque ele colocou aquela merda ali? Bem só faltou colocar uma placa em neon dizendo “ME COMA”, já que como ele fez os dois uns imperfeitos do caralho, é meio óbvio que eles iam comer(nem comento que foi a Eva que encheu o saco do Adão até ele comer aquela fruta ‘dozinferno’, segundo a bíblia). Continuando, a Igreja Católica prega que Deus é piedoso e que perdoa as pessoas de seus pecados, maaaaaaaas se não o venerarmos, se pecarmos e/ou formos homossexuais, já iremos queimar no fogo do inferno pela eternidade. Veja bem existem sete pecados principais(os famosos pecados capitais) que nos dão um passaporte direto ao fogo do inferno se não nos redimirmos, são eles: Ira, luxúria(opa), avareza, inveja, preguiça, gula, e vaidade. Ou seja: não podemos nos irritar absurdamente com alguém em hipótese alguma, nem gostar de sexo além da conta(no caso só depois do casamento e tendo filhos, porque anticoncepcionais também são condenados, mas falo sobre isso depois), não pode querer guardar muito dinheiro pra se garantir(tem que doar tudo pra igreja, óbvio), não pode sentir aquela inveja do seu primo que pegou aquela gostosona na balada(não cara, nem um pouquinho, ou vai se ver com o castigo divino, e ele também, aquele luxurioso D: ), não pode dormir mais do que 8 horas todo dia( oh deuses ontem fui dormir cedo pra aproveitar mais horas de sono e acordei perto do meio dia, logo serei castigado), não podemos comer em quantias absurdas(nem quando for numa churrascaria rodízio. Vish só pela gula Deus já me condenaria a ser estuprado pelo capeta 24h por dia durante a eternidade), e vocês moçoilas(e moçoilos, sei lá), não podem ser preparar pra dar uns foras monstruosos nos caras em festas, pois seriam condenadas por vaidade D:
     Agora sobre anticoncepcionais(camisinha, pílula, essa caralhada de coisa que alivia a mente de nossas mamães, ou não). Qual o motivo de condenar algo que previne uma gravidez ou doenças sexualmente transmissíveis?(as famosas DSTs) Ah claro, o que eu acabei de falar, previne uma gravidez, ou seja, previne uma vida de vir ao mundo. PORRA CARA, agora o cara não pode nem transar sem ter que ser excomungado? Fora o fato de que pode pegar sífilis, gonorreia e essas merdas todas. Mas voltando ao raciocínio nos trilhos...
     Outra coisa irritante é que quando eu falo pra um crente que eu sou ateu, eles sempre tem a mesma reação: Meu Deeeeeeeeeeeeeus como você não acredita em Deus nossa senhora do céu. O que eu respondo: Olha, cada um tem sua opinião, e as minhas me levam a não crer em divindades. O que eu REALMENTE queria responder: Veio não enche meu culhão que eu não tenho saco pra esse papo de crente escroto. E vá chupar um pau que é esse seu problema. Alguns de vocês devem saber como isso é irritante. Mas de qualquer maneira, estou apenas falando o que penso a respeito disso.
     Eu não dou a mínima para a crença dos outros, e respeito ao máximo que posso, só tenho essa zica com a igreja católica mesmo por causa dessa contrariedade constante. Se você é cfrente ou não, crê em um ou vários deuses, ou não crê em nada, o problema é seu, e de mais ninguém.


Ateística e epifanicamente,

O Autor   

Sweet Death #1


Muito bem essa não é a primeira vez que eu digito textos e espero que não seja a última. Sweet Death  vai ser uma série onde pego alguns personagens fixos em diversas ocasiões da história, assim como Tom & Jerry, os mesmos personagens, em diversas ocasiões sem ordem cronológica e etc. espero que gostem!
O Autor



    Se você já viu a praia da Normandia depois do Dia D sabe muito bem o que é a cena do terror absoluto. Corpos por todos os lados, um cheiro de morte que faria até os olhos de um morto lacrimejarem, sangue podre e seco até onde a vista alcança, pedaços de corpos jogados por todos os lados e um clima macabro o suficiente pra fazer até o homem mais corajoso ficar com um pé atrás.
    As almas dos soldados mortos ainda vagueavam pelas areias vermelhas da praia, procurando suas armas e companheiros, sem saber que não poderiam fazer nada. O medo nos olhos vivos daqueles que andavam pelo local invadia seus corações assim como uma lança empala uma pessoa, ninguém queria ficar ali, mas tinham um trabalho a fazer. Precisavam limpar o local, tirar os cadáveres(ou o que sobrou deles), e mexer na areia para que todo aquele sangue não fosse visto por mais ninguém.
-Puta que pariu, não quero ficar aqui. Estão nos pagando mal pra fazer o serviço que nem os garis que vivem no lixo querem fazer- disse Stefano
-Nem ligo, já estão nos pagando, isso é o que vale. Precisamos do dinheiro e você sabe muito bem disso. – disse Felipe olhando friamente para a praia com um cheiro insuportável de putrefação.
-Que merda...de qualquer maneira, vamos acabar com isso de uma vez. Cara vamos colocar os corpos na carroceria de um caminhão, não devíamos enterra-los?- pergunta Stefano quase cagando sangue de tanto medo.
-Velho, deixa de frescura e vai catando de uma vez- termina Felipe. Ambos começam a fazer seus serviços.
    Felipe que tinha o sangue mais frio que o de um réptil começou a coletar os pedaços e aqueles que estavam com vários órgãos de fora, enquanto Stefano pegava os corpos mais ‘inteiros’. O clima era pesado e nenhum deles pensava, apenas trabalhavam, pois sabiam que se pensassem iriam acabar imaginando a dor dos soldados e enlouquecer. Tudo ia bem até que uma brisa com um cheiro metálico muito conhecido começou a soprar.
-Meu Deus, sentiu esse cheiro?- pergunta Stefano
-Sim, tem sangue até no ar desse lugar. Vamos logo, temos algumas centenas de milhares de corpos pra recolher- responde Felipe, querendo acabar logo o serviço, receber seu dinheiro, ir pra casa e esquecer das atrocidades que viu.
-Ei, vocês, sabem aonde foi meu pelotão? Estava caindo de paraquedas e fui pego por uma corrente de vento e me separei dos meus homens. Preciso acha-los logo, eles não podem ficar sem mim- fala alguém(ou algo) com uma agonia na voz
-FELIPE ISSO NEM TEM GRAÇA!!!– grita Stefano
-Eu não falei nada seu doente, o cheiro daqui deve estar afetando seu cérebro – retruca Felipe.
    Algum tempo depois Felipe ouve uma voz ecoar em sua cabeça:
-Felipe é você? Pelos deuses você cresceu- diz a voz
-Pai?
-Felipe você tá indo aonde seu maluco??- pergunta Stefano
-Estou no mar Felipe, venha me ver, meu barco foi afundado, venha buscar por favor- diz a voz na cabeça de Felipe
-Estou indo pai- disse Felipe olhando pro horizonte
- Puta merda Felipe isso não tem graça, volta agora e vamos continuar com o serviço implora Stefano morrendo de medo.
    De repente parece que o lugar ciou vida de novo, como se a alma de cada soldado tivesse tomado um Rollback na mente e ainda estivesse desembarcando pra própria forca. Era possível sentir um vento forte como se o exército estivesse correndo e gritando com a adrenalina subindo á cabeça.
-Rápido Felipe, venha me ajudar, todos já estão na praia, veja! – falou a voz na cabeça de Felipe.
E Felipe foi.
    Stefano correu desesperado com medo de perder o melhor amigo para sempre. Tentou segurá-lo mas Felipe era forte, desvencilhou-se com facilidade dos braços magros do colega e seguiu andando para a água gélida e morta da praia.
- Isso meu filho, venha ajudar seu velho pai.- Disse a voz. Foi aí que Felipe entrou por completo na água, e se abraçou a um corpo que um dia fora o do pai dele. Ele estava congelando de frio, chorando de tristeza pois sabia que ia morrer, e de alegria, por ter visto seu pai uma ultima vez.

"When I close my eyes, I see what I left behind"




     Se alguma vez você fez merda, e depois de muito tempo, lembra daquilo, e se pergunta “porque eu fui fazer aquela desgraça?” então sabe como eu me sinto em algumas situações. O segredo pra não ficar emburrado o resto do dia querendo que ninguém olhe pra você e pense a seu respeito é discar um foda-se e ser feliz. Eu posso dizer isso em primeira mão já que fiz muita cagada na vida, passei muita vergonha e me arrependo de ter feito muitas coisas.
     Mas é só passar por cima disso. Não se julgue um completo retardado por ter feito besteiras. Julgue-se pelo que você é agora. Nada que você faça agora pode mudar seu passado, isso nunca, ações e palavras são como flechas, uma vez lançadas só param quando chegarem ao seu destino, então, seja Legolas, lance as flechas certas nas horas certas, e quando olhar pra trás não vai ver a vergonha, mas sim o resultado de você ter usado um dom: A inteligência.
     A vida baseia-se na terceira lei de Isaac Newton: a Lei da Ação e Reação, ou seja, toda ação cria uma reação contrária de igual ou maior valor. O que eu quero dizer é: se você fizer cagada, terá um futuro cagado. Pense no que vai fazer, fique sempre com um pé atrás, palavras certas podem mudar muita coisa. Mais do que você pensa. Seis míseras letrinhas mudaram o curso da história: Sim e Não. O poder da escolha te permite fazer a sua própria vida e futuro. Charles Darwin disse não ao criacionismo e hoje a igreja não é a ditadora mundial. Muitos disseram sim a Hitler e tivemos o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial. Ou seja: Você pode ter um passado tanto patético quanto esplendoroso, suas ações, escolhas e palavras vão fazer toda a diferença num futuro não tão distante como também no último dia da sua vida.
      Não sou psicólogo nem nada, apenas um adolescente tentando achar seu lugar entre quase 7 bilhões de pessoas, das quais no máximo umas vinte e cinco vão realmente dar valor as minhas palavras.
    

Desejando a vocês toda a sorte do mundo no primeiro post do blog,

O Autor