terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Sweet Death #4

Dor de cabeça, dor nos olhos, dor nas pernas, dor nos braços, dor em tudo, um cheiro de bebida alcoólica pairava no ar e só colaborava ainda mais pra ressaca de Stefano fazer sua cabeça parecer que estava sendo martelada. “Porra, ontem deve ter sido punk” pensa Stefano antes de sair da cama. Estava meio complicado andar, suas pernas doíam e seus joelhos também, mas seguiu em direção a cozinha mesmo assim. Uma das vantagens de morar sozinho era não dar satisfações a ninguém que entrasse no apartamento dele.
     Stefano foi para a sacada e lá ficou sentado tentando se lembrar de alguma merda realmente catastrófica. Era meio difícil pensar com aquela dor de cabeça satânica. Saindo da sacada foi tentar arrumar o local. Quando foi começar a catar as garrafas de vidro no chão, acabou caindo de joelhos e depois deitado.
- Nunca mais....vou beber....nessa merda....de vidinha- Formar palavras estava realmente foda. E caiu no sono de novo. Quando acordou nem sabia direito onde estava, mas não era a casa dele. As dores haviam diminuído significativamente, e se isso aconteceu devia ter se realmente passado tempo pra cacete dormindo igual um retardado babão. Começou a olhar o ambiente em volta, o local não era bom, era um quarto com uma cama na qual ele estava deitado, a cama era boa até, mas também não era digna de um rei ou coisa do tipo. Ele sai da cama e tenta abrir a porta. Trancada. “Agora fodeu geral” pensa ele. Ele senta na cama e começa a pensar em como havia chegado ali. Dormiu, acordou, dormiu de novo, e quando acordou novamente já estava ali refém de sabe-se Deus quem.
     A porta abre, e ali aparece um homem grande e forte completamente coberto com uma roupa preta, era uma...farda com capacete, algo do tipo, só sabia que não conseguiu identificar quem era o sujeito. O problema maior não era o sujeito de preto, mas sim o que ele carregava, parecia uma massa de carne e veias, sangue e ossos, era bizarro. O homem de preto jogou aquela coisa no cômodo e trancou a porta. Quando Stefano olhou melhor aquela coisa no chão, percebeu que a massa de carne tinha uma forma, músculos, braços, pernas, era uma pessoa, estava viva e respirando, mas não tinha pele.
- Meu Deus, você tá bem?- Pergunta Stefano
- Claro...arrancaram minha pele...comigo vivo...e sem anestesia...me deixaram todo fraco...óbvio que estou bem.- Responde...aquilo, com dificuldade em falar devido ao veneno que deram pra ele – Ei, já que ainda não fizeram isso...com você...me senta naquela cadeira...ali no canto. Não consigo me...mover.
     Stefano ficou parado pensando em como ia encostar naquilo, era todo, estranho, tinha forma bem definida, músculos ressaltados(talvez porque não tivesse nada os encobrindo), mas era todo cheio de sangue, e MUITO SANGUE. Porra como ele não tinha morrido?? Isso não importava, precisava sair dali o mais rápido possível. Nem chegou a tocar no homem sem pele, estava morrendo de medo. Quando ele se levantou, o homem de preto veio, colocou um saco na cabeça de Stefano e o levou a algum lugar. Quando o saco foi retirado, ele estava preso a uma mesa de ferro, daquelas que aparecem em filmes alienígenas. E agora? Trancado, preso, como um ratinho numa gaiola, ele sabia que o pior estava por vir.
-Haha, acha que viu o pior?- Falou o homem de preto. Quando ele tirou a máscara ele viu uma face da qual ele nunca poderia esquecer. Ele viu o próprio rosto, só que mais velho, muito mais velho, completamente enrugado e com os olhos cansados, porém cruéis. O medo se espalhou pelo seu corpo, como aquilo seria possível? Então o velho disse:
- Não gosto de gente igual a mim. Vamos fazer uma pequena troca de pele.
Tudo ficou escuro.
     Quando ele acordou, o velho segurava um espelho na mão, ele parecia estar se divertindo com a situação. Stefano se sentia estranho.
-Agora sim está melhor- Disse o velho, e levantou o espelho.
     No espelho ele viu alguém que não conhecia. Ele viu um rosto e um corpo com aparência deformada, pele meio morta e fora do lugar.
                             A troca havia sido bem sucedida. 

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